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Entrevistas

Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais

ImageEntre os dias 19 e 21 de outubro de 2011, no Rio de Janeiro, ocorrerá a Conferencia Mundial sobre Determinantes Sociais de Saúde (http://determinantes.saude.bvs.br/php/index.php) .
Como Determinantes Sociais de Saúde (DSS), considera-se fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de saúde e seus fatores de risco na população.
Visando ampliar os debates, a RedeNutri inaugura seu espaço de entrevistas com as Professoras Doutoras Ana Marlúcia de Oliveira Assis e Sandra Chaves da Universidade Federal da Bahia.

1. Como vocês posicionam a alimentação e nutrição entre os diferentes Determinantes Sociais da Saúde ?
Tendo em vista o panorama epidemiológico de morbimortalidade no mundo, e particularmente no Brasil, o componente alimentação e nutrição assume papel de destaque entre os determinantes sociais da saúde, em várias perspectivas.. Podemos destacar... por exemplo, a relação com o acesso à alimentação adequada em termos qualitativos e quantitativos, que no Brasil se apresenta como processo mediado pela desigualdade, gerado pelo acesso diferenciado no plano econômico e pela iniquidade. Este cenário promove uma dupla carga de morbidade representada pela permanência de doenças carenciais, algumas destas localizadas em grupos sociais excluídos – como populações indígenas, quilombolas, assentamentos, ribeirinhos, semi-árido.. etc, outras disseminadas na população em geral,como a anemia ferropriva, ao lado das doenças crônicas não transmissíveis, especialmente hipertensão arterial, doenças cardio-vasculares, sobrepeso e obesidade e diferentes tipos de cânceres; algumas destas a exemplo do sobrepeso e da obesidade com maior ocorrência entre os mais pobres, com recorte diferenciado segundo o gênero, acometendo em maiores proporções as mulheres.

2. A Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais de Saúde, debaterá estratégias e metodologias para combater as iniqüidades em saúde. Neste contexto, o que vocês sugeririam em relação ao determinante Alimentação e Nutrição ?
No plano legal faz-se necessário instrumentalizar a exigilidade do DHAA. Garantir acesso à alimentação adequada em termos quantitativos e qualitativos para todos, o que depende, entre outros de;
1- Inserir o componente alimentação e nutrição efetivamente na ABS, nos programas que estruturam na atualidade à atenção à saúde no SUS, como a Estratégia Saúde da Família;
2- Estadualizar e municipalizar a política de alimentação e nutrição, integrando-a a política de segurança alimentar e nutricional e à política de assistência social;
3- Articular, efetivamente, em todos os planos o SUS, o SUAS e o SISAN, entendendo que com a articulação política e operacional constrói-se o espaço para a promoção e garantia do DHAA pelo enfrentamento intersetorial e multidisciplinar dos determinantes sociais dos problemas;
4- Formar e Qualificar recursos humanos para desenvolver as ações necessárias, com monitoramento e avaliação, favorecendo a aprendizagem e disseminação de boas práticas em perspectiva multidisciplinar.
5- Fomentar a produção de conhecimentos, visando aprofundar o entendimento sobre os determinantes sociais que constroem a iniquidade em saúde, alimentação e nutrição, assim como sobre melhores estratégias de intervenção para a superação dos problemas alimentares e nutricionais? Promoção e prevenção desses males, para alcance da igualdade;
6- Uma das iniqüidades relevantes está na falta do acesso da população às informações científicas no campo da alimentação e nutrição, e, assim, produzir e disseminar informações para veiculação na grande mídia é essencial no combate as iniqüidades, por ser uma forma de levar e elevar a consciência do direito à saúde, à alimentação, à cada brasileiro;

3. Na opinião de vocês qual poderá ser o impacto da Conferência Mundial para o avanço da agenda de alimentação e nutrição nas políticas públicas em geral e no SUS em particular ?
Acreditamos que os impactos podem ser muitos e, sobretudo relevantes, partindo do seguinte. Foi a partir da Conferência de Alma Ata, em 1978, que se deu o reconhecimento político da saúde como direito de todos e também das desigualdades existentes entre países e dentro de cada país no acesso a este direito. Conformou-se a partir de então a agenda da Atenção Primária da Saúde. Neste contexto, no Brasil, o campo da alimentação e nutrição ampliou sua abrangência enquanto campo teórico e prático, a partir da própria inserção da atenção nutricional na rede básica de saúde. Desde então muitos avanços foram registrados no entendimento da relevância da alimentação e nutrição em todo e qualquer debate e ação em torno da redução das desigualdades em Saúde. No entanto, nem todas as oportunidades foram bem aproveitadas, nem todas as políticas foram realizadas na forma desejada, faltou monitoramento e avaliação para gerar aprendizagens em torno das melhores formas de atuação.

Assim, na medida em que esta conferência retoma esta discussão tendo como idéias-força “Todos pela Equidade” e “Saúde para Todos”, novas oportunidades se apresentam para o campo da alimentação e nutrição. Há a oportunidade política, pela mobilização dos países em torno de pactos para o combate às iniqüidades. Portanto, considera-se que o Brasil avançou no campos das PP, com enfoque na saúde e nutrição, mas precisa ampliar cobertura de forma a alcançar todos os brasileiros. Programas de transferência de renda, de Saúde da Família, de alimentação e nutrição, entre outros, têm efetivamente contribuído para reduzir o gap entre a extrema pobreza e a pobreza, e incluído pessoas dentro do estrato dos menos pobres, promovendo assim a redução da desigualdade mas há ainda um longo percurso a realizar de forma a ampliar as oportunidades para atingir a situação de equidade plena.


Ana Marlúcia de Oliveira Assis, é Nutricionista, mestre em Saúde Pública pela Escuela de Salud Publica de Mexico e doutora em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, Epidemiologia das doenças carenciais na infância, atuando principalmente nos seguintes temas: anemia, aleitamento materno, infecção e crescimento, consumo alimentar e desnutrição.
 
Sandra Maria Chaves dos Santos, é Nutricionista, mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia e doutora em Administração Pública pela Universidade Federal da Bahia.Tem experiência na área de Nutrição, com ênfase em planejamento e avaliação de políticas e programas de alimentação e nutrição.

 


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