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A persistência da desnutrição em crianças indígenas Xavante: acesso desigual às políticas públicas? 

Autores do relato: Cassia Veras de Moraes; Aline Alves Ferreira; James R. Welch; Carlos E. A. Coimbra Jr 

Local da experiência: Terra Indígena Pimentel Barbosa, Mato Grosso. 

Local de implementação:  Aldeias Pimentel Barbosa e Etênhiritipá 

Qual o público alvo? Crianças indígenas

Qual foi a experiência desenvolvida?

No país houve diminuição gradativa da desnutrição infantil na população nas últimas décadas, atribuída principalmente, a melhoria dos determinantes sociais de saúde. Porém, estudos realizados em diferentes populações indígenas na Amazônia e Brasil Central têm revelado elevadas prevalências de desnutrição em crianças, especialmente baixa estatura para-idade (E/I). Esse cenário tem sido relacionado às situações precárias de saneamento e condições de vida, além de elevadas taxas de doenças infecciosas e mortalidade infantil.

O objetivo deste trabalho é comparar o perfil de desnutrição de crianças indígenas Xavante de duas aldeias do Brasil Central nas duas últimas décadas.

Foi realizado um inquérito do estado nutricional de 171 crianças em 2011 nas aldeias Pimentel Barbosa e Etênhiritipá (Mato Grosso, MT), visando o universo da população. Construiu-se os índices E/I, peso-para-idade (P/I), peso-para-estatura (P/E) e IMC-para-idade (IMC/I), considerando os pontos de cortes propostos pela Organização Mundial de Saúde (WHO, 2006). Os dados de 2011 foram comparados a um inquérito anterior realizado na mesma comunidade em 1994, e para tal, calculou-se os z-escores dos índices antropométricos de acordo com a população referência da época, do National Center for Health Statistics (Hamill, 1977). Utilizou-se o teste qui-quadrado para análise das diferenças das proporções de desnutrição entre sexos, grupos de idade e ao longo do tempo (significância de 95%). Todos os aspectos éticos foram respeitados. 

 A prevalência de baixa E/I e baixo P/I para ambos os sexos 2011 foi 39,28% e
12,14%, respectivamente, de acordo com a OMS. Em ambos, não houve diferença significativa em relação ao sexo, apesar dos meninos apresentaram maiores prevalências. A baixa E/I diferiu em relação aos grupos de idade (p=0,001 e os <2 anos foram os mais prevalentes). Não apareceram casos de obesidade. Ao comparar ao inquérito de 1994, adequando-se à população referência (NCHS), percebe-se que a prevalência global de desnutrição pouco reduziu ao longo de quase 20 anos, sem diferença significativa (27,7 versus 25% de baixa E/I e 16,7% versus 16,4% de baixo P/I, para os anos 1994 e 2011, respectivamente). Em 1994 e 2011, casos de excesso de peso foram inexistentes em relação ao P/E.

Os altos níveis de desnutrição mantiveram-se nas crianças Xavante, ao contrário da tendência em âmbito nacional para as crianças não-indígenas e opondo-se à discussão sobre o aumento de obesidade. Isso sugere que programas e ações voltadas para a saúde infantil e demais políticas públicas para a promoção de saúde e segurança alimentar e nutricional atingem de forma desigual a população brasileira.

É necessário fortalecer ações que busquem superar a vulnerabilidade nutricional e alimentar dessas populações, com ênfase na vigilância alimentar e nutricional, integrada aos sistemas de informação existentes, que hoje são pouco eficientes no contexto indígena. 

Contato: kssiaveras@gmail.com


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