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Guia Alimentares

Por: Ana Carolina Feldenheimer da Silva 

Guias Alimentares são instrumentos de Educação Alimentar e Nutricional que têm a função de ajudar as pessoas a fazerem escolhas alimentares saudáveis. Voltados aos cidadãos, devem conter mensagens claras e orientações que sejam factíveis com fatores que vão além do ato de comer, como cultura alimentar local, disponibilidade de alimentos, renda, modos de vida, entre outros fatores.

Como instrumento nacional, próprio de cada país, devem refletir a realidade e a cultura alimentar de local, preservando os valores, costumes e alimentos locais. Organismos internacionais como a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) trabalham no apoio aos países para que cada um desenvolva seu próprio documento, com o envolvimento de setores afeitos à agenda da alimentação. Os setores que desenvolvem e respondem pelos Guias Alimentares nacionais variam de acordo com as diferentes realidades. Em alguns países os responsáveis pela elaboração dos Guias são associações de nutricionistas, em outros comissões compostas por  especialistas da área ou por diferentes setores de governo. 

O Brasil tem um Guia Alimentar para a população Brasileira desde o ano de 2006 e, em 2011 o Ministério da Saúde em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde , da Universidade de São Paulo (NUPENS-USP) e com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) começou um importante processo de revisão das recomendações propostas pela 1ª versão do Guia Alimentar para a População Brasileira.

Por aqui, a elaboração do Guia é do Ministério da Saúde, que tanto na versão anterior como na atual, compôs um grupo de trabalho para elaborar o documento e realizou etapas de discussão com diferentes setores para a elaboração do documento. As recomendações do documento brasileiro são as diretrizes oficiais para a promoção da alimentação adequada e saudável e apoia ações nos diferentes setores do governo vinculados à agenda da alimentação e nutrição.

 Mas por que os Guias Alimentares são importantes?

Os conhecimentos em alimentação e nutrição avançaram e avançam cada vez mais rápido. Nunca se estudou tanto para definir a composição ideal de nutrientes das dietas mas, por outro lado, as taxas de mortalidade devido às doenças crônicas não transmissíveis aumentam a cada ano e o excesso de peso é uma realidade global, também observada no Brasil. Estudos realizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a morbidade e mortalidade da população mundial apontam a alimentação inadequada como o principal fator de risco para grande parte dos agravos ditos “modernos”. 

A Alimentação e a Nutrição são temas cada vez mais presentes na mídia e as informações nem sempre são as mais seguras e sensatas. Os Guias se apresentam como um referencial para a promoção da alimentação adequada e saudável, com orientações claras e confiáveis para a manutenção da boa saúde e nutrição. Ao refletir sobre o que se come, os documentos devem se preocupar não apenas com a composição de nutrientes de uma dieta, mas também com questões mais complexas como a origem dos alimentos levados à mesa, a forma como são produzidos, os custos de produção (financeiro, social e ambiental) e de que maneira a alimentação possa ser um ato sustentável para que o planeta continue a prover alimentos para futuras gerações.  

A nova proposta de Guia Alimentar para a População Brasileira, que está em consulta pública desde o dia 10 de fevereiro através do seguinte endereço: http://200.214.130.94/CONSULTAPUBLICA/INDEX.PHP?MODULO=DISPLAY&SUB=DSP_CONSULTA(external link), além de valorizar  o consumo de alimentos frescos, incentiva o resgate da culinária e de valores simples como o ato de comer em companhia e evitar o consumo de produtos ultra-processados, bem como de alimentos prontos para consumo.

As refeições propostas no documento são baseadas em práticas reais, de  brasileiros, entrevistados pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) no ano de 2008/9 e podem ser adotadas por toda a população brasileira, o que realmente torna as recomendações do novo Guia factíveis.

O grande desafio posto está no resgate de hábitos que estão se perdendo: consumir alimentos frescos, conhecer a origem da comida posta à mesa, fazer escolhas mais saudáveis e, por outro lado, evitar ao máximo o consumo de comidas prontas. A alimentação é um ato cotidiano que merece atenção e planejamento e as recomendações propostas pelos Guias Alimentares são uma ferramenta a mais para a adoção de modos de vida saudáveis, que auxiliem na promoção da saúde e na aposta de uma vida saudável.


Ana Carolina Feldenheimer da Silva é nutricionista, Mestre em Saúde Pública (FSP/USP), Doutoranda em Nutrição em Saúde Pública  (FSP/USP) e Especialista em Gestão de Políticas de Alimentação e Nutrição (Fiocruz). Atualmente é Consultora Nacional da Organização Pan-Americana da Saúde para a Agenda de alimentação e Nutrição no Brasil.   

 


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