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Situação das Deficiências de Micronutrientes na América Latina e Caribe

Por: Ruben Grajeda

Estima-se que 2 bilhões de pessoas no mundo sofrem com as consequências das deficiências de micronutrientes. Os micronutrientes, as vitaminas e minerais, são nutrientes que são requeridos em pequenas quantidades pelo organismo, mas sua deficiência tem sérias consequências para a saúde, tais como: retardo no desenvolvimento motor e cognitivo, má formações congênitas, abortos e maior morbimortalidade materna perinatal, alterações no desenvolvimento imunológico, cegueira, retardo no crescimento linear, morte prematura evitável, sem deixar de mencionar o custo econômico e social destas deficiências.

A deficiência de ferro, iodo e vitamina A são as de maior significância a nível mundial. A anemia é definida como baixa concentração de hemoglobina no sangue. Estima-se que 50% dos casos de anemia podem ser atribuídos a deficiência de ferro, ou seja, anemia por deficiência de ferro. As infecções agudas ou crônicas (como malária, parasitoses, tuberculose e HIV), as enfermidades crônicas, como o câncer e deficiência de folato, riboflavina, vitamina A e B12 e os fatores que alteram a síntese de hemoglobina podem ser também causa da anemia.

A nível global, estima-se que 42,6% das crianças menores de 5 anos, 29,0% das mulheres em idade reprodutiva e 38,2% das mulheres grávidas sofrem de anemia. Na região das Américas 22,3% das crianças menores de 5 anos (17,1 milhões), 16,5% das mulheres em idade reprodutiva (38,1 milhões) e 24,9% das mulheres grávidas (2,4 milhões) possuem anemia. Apesar da região das Américas ter registrado valores mais baixos, a anemia continua sendo um dos problemas de saúde pública, com grandes diferenças por nível socioeconômico, local de residência e entre os países.

A deficiência de vitamina A ocorre principalmente como consequência da ingestão insuficiente deste nutriente e devido a infecções frequentes que aceleram o metabolismo e aumentam o requerimento desta vitamina. Estima-se que 29,0% da população dos países de baixa e média renda sofrem de deficiência de vitamina A. Na América Latina e Caribe, a deficiência afeta 11% da população, observando uma redução de 52% na prevalência regional entre 1991 (21%) e 2013.

A nível global estima-se que 29,8% (241 milhões) de crianças em idade escolar (9 a 12 anos) tem ingestão insuficiente de iodo. A região das Américas é a região da Organização Mundial da Saúde com a prevalência mais baixa (13,7%) afetando 14,6 milhões de crianças.

A diversidade da alimentação e a suplementação de alimentos com micronutrientes são as principais estratégias para prevenir estas deficiências. As intervenções para promover a diversificação da alimentação incluem políticas para aumentar a disponibilidade e acesso a alimentos fonte de vitaminas e programas de educação alimentar e nutricional que afetam os hábitos alimentares e as preferências culturais da população. A Organização Mundial da Saúde tem elaborado guias para a suplementação com ferro e ácido fólico para crianças de 6 a 59 meses, mulheres em idade reprodutiva e mulheres grávidas. Embora a maioria dos países tenham incorporado a suplementação com micronutrientes em suas recomendações de atenção clínica, a suplementação requer um sistema eficiente de planejamento que inclua alocação do orçamento, compra, aquisição e distribuição de suplementos, formação e desenvolvimento de habilidades de aconselhamento de saúde dos profissionais de saúde, uso dos serviços de saúde e ingestão de suplementos pela população-alvo.

A fortificação dos alimentos é a estratégia com melhor custo-benefício para prevenir as deficiências de micronutrientes e requer medidas legislativas que regulem seu uso de forma voluntária e obrigatória dos alimentos e um acordo com a indústria de alimentos. Além disso, alguns países tem promovido o clampeamento oportunodo cordão umbilical, a distribuição de antiparasitários e melhor acesso a água potável e saneamento básico.

A prevenção da deficiência de vitamina A está focalizada na distribuição de suplementos de vitamina A para crianças de 06 a 59 meses. Adicionalmente, a América Central conta com um programa exitoso de fortificação de açúcar e na Bolívia com um programa de fortificação do azeite comestível. Para a deficiência de iodo, os países da região tem adotado a fortificação de sal com iodo. Os resultados de pesquisas em escolares de 9 a 12 anos mostram que a região tem dado passos importantes na prevenção dessa deficiência.


Ruben Grajeda. É conselheiro em Nutrição e Determinantes Sociais da Organização Pan-Americana de Saúde. Graduado em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade de San Carlos na Guatemala. Mestre em Ciência da Nutrição da Universidade de Connecticut. Ele já publicou diversos estudos nas áreas de epidemiologia, nutrição, obesidade e saúde pública.
 

 

 

 

 

 

 


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