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A Escola como espaço de promoção da saúde e prevenção de doenças: uma abordagem interdisciplinar através do Programa Saúde na Escola

Instituição: Universidade Federal de Pernambuco /Centro Acadêmico de Vitória

Autores: Camila Tenório, Cristyane Nathália, Delton Manoel, Erica Bezerra, Jeyssyca Ryanne, Jonatan Barros, Danielle Cerino, Isis Oliveira, Geisyane Oliveira, Juliana Laurentino, Juliana Souza e Vanessa Leal.

INTRODUÇÃO

No setor saúde, tem-se uma grande preocupação em substituir o modelo biomédico de atenção, centrado na doença e no atendimento hospitalar para uma visão holística e ampliada do que é saúde, perpassando a promoção e a prevenção, constituintes essenciais na Atenção Primária a Saúde. Neste sentido o Governo Federal institui o Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde (Pró-Saúde) articulado ao Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (Pet-Saúde), os quais objetivam a integração do ensino-serviço, visando à reorientação da formação profissional, de forma a assegurar uma assistência integral do processo saúde-doença, a partir de grupos de aprendizagem tutorial na Estratégia de Saúde da Família (ESF) e no Sistema Único de Saúde (SUS). Desta forma liga o ensino- serviço- comunidade, ampliando a visão de formação do acadêmico e futuro profissional (BRASIL, 2005; 2008).

O Programa Saúde na Escola (PSE) instituído nos âmbitos dos Ministérios da Saúde e da Educação, por Decreto Presidencial nº 6.286, tem a finalidade de contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública de educação básica por meio de ações de prevenção de doenças, promoção e atenção à saúde (BRASIL, 2007), contribuindo para o fortalecimento de ações na perspectiva do desenvolvimento integral e proporcionando à comunidade escolar a participação em programas e projetos que articulem saúde e educação. Essa iniciativa reconhece e acolhe as ações de integração entre saúde e educação já existentes e que têm impactado positivamente na qualidade de vida do educando (BRASIL, 2011).

A partir da importância do PSE e de outros programas de Saúde e Educação relacionados a escolares, surge o projeto “A escola como espaço de promoção da saúde e prevenção de doenças: uma abordagem interdisciplinar através do programa saúde na escola”, cuja finalidade é fortalecer o PSE no Município de Vitória de Santo Antão – PE através do Pró Saúde/PET Saúde da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no Centro Acadêmico de Vitória (CAV). O presente relato de experiência tem como objetivo principal discorrer sobre as experiências vivenciadas pelos graduandos, preceptores, residente e tutores do projeto PET-PSE, assim como a importância e as implicações que o mesmo carrega para as escolas e o público atingido.

METODOLOGIA

O PET-PSE teve inicio no mês de Agosto de 2012, através das parcerias entre universidade, escola e comunidade, abordando os temas preconizados pelo Programa (BRASIL, 2007), assim como a demanda e a necessidade observada em diagnósticos prévios nas escolas, a partir de reuniões com a direção e docentes. Após a realização dos diagnósticos locais, a equipe de trabalho elabora as propostas de atividades, as executa e por fim tem-se a avaliação por parte do público-alvo atingido, assim como a autoavaliação da equipe.

A equipe do PET-PSE é composta por estudantes dos cursos de Educação Física, Enfermagem, Nutrição e Ciências Biológicas e da Residência Multiprofissional em Saúde da Família; profissionais do Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) (nutrição, fisioterapia e fonoaudiologia) e docentes do curso de Nutrição do CAV/UFPE.

Desde o seu inicio, o projeto atendeu aproximadamente 450 escolares, das turmas do maternal ao ensino médio, com faixa etária variando entre 4 a 21 anos. São realizadas atividades educativas em três escolas urbanas da rede pública de ensino da cidade de Vitória de Santo Antão-PE, através de dois encontros semanais, abordando temas como: higiene pessoal, higiene ambiental, alimentação versus doenças, alimentação saudável, hortas escolares sustentáveis, educação sexual, avaliação do estado nutricional, atividade física e cultura de paz. Esses temas são trabalhados de maneira simples e objetiva, através de rodas de conversa, oficinas, dinâmicas de grupo e atividades lúdicas.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Durante as atividades, os escolares demonstram entusiasmo por serem experiências diferentes daquelas vivenciadas na rotina da sala de aula. Apesar de inicialmente apresentarem-se tímidos e inquietos, no decorrer das atividades deixam-se envolver, demonstrando atenção e interesse, interagindo, respondendo, expondo pontos de vista, questionando e se tornando cada vez mais flexíveis e participativos.

Vale salientar que, o meio que os escolares vivem, os conceitos formados e a bagagem de vida que trazem consigo tem influência direta em seu comportamento, o que dificulta a apreensão quando é mostrado conceito oposto da sua realidade. Essa questão torna-se um desafio, já que o foco das ações não é apenas construir um novo conceito, mas de fazê-los repensar sobre suas atitudes.

Entretanto, percebe-se que os escolares passaram a mostrar mudanças de pensamento e comportamento, antes tidos com frequência nos momentos em sala de aula. Com isso, nota-se que é possível fazer a diferença, e que o papel do PET/PSE nas escolas contribui para uma melhor conduta dos escolares, fortalecendo o programa em nível local.  Os professores e demais funcionários participam das atividades, ajudando no controle da turma e no direcionamento das ações propostas. O uso de rodas de conversa, vídeos, oficinas, dinâmicas de grupo e jogos com a utilização da linguagem lúdica, que fogem do modelo tradicional de educação, favorece o acesso aos níveis afetivos e emocionais dos escolares, por meio de conteúdos educativos, capaz de incentivar a reflexão e o debate sobre os temas trabalhados.

CONSIDERAÇÕES

A utilização de atividades pedagógicas para a realização de ações intersetoriais e transdisciplinares tem se configurado como estratégia que valoriza a construção de conhecimentos de forma participativa e questionadora. Percebe-se claramente que o êxito para a consecução das ações de promoção de saúde nas escolas depende do compromisso de gestores, profissionais de saúde e de educação e da participação ativa da comunidade escolar. Os conhecimentos resultantes desse processo promovem a integração social do escolar, proporcionando assim condições para resolver problemas mediante fatos percebidos.

REFERÊNCIAS

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Portaria Interministerial Nº 2.101 de 3 de novembro de 2005.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Decreto nº 6.286, de 5 de dezembro de 2007. Institui o Programa Saúde na Escola e dá outras providências.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Portaria Interministerial Nº. 1.802 de 26 de agosto de 2008.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Passo a passo PSE : Programa Saúde na Escola : tecendo caminhos da intersetorialidade / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica, Ministério da Educação. – Brasília : Ministério da Saúde, 2011.46 p.: il. – (Série C. Projetos, programas e relatórios)


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