A Secretaria de Vigilância emSaúde (SVS) apresentou, na última quarta-feira (5), durante o 1º Seminário deVigilância de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) e Promoção da Saúde, os avanços das políticas públicas implementadas com base no Plano de Ações Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das DCNT no Brasil 2011-2022. 

Um desses avanços é o aumento na expectativa de vida da população brasileira graças a redução da mortalidade por doenças cardiovasculares. O evento reuniu gestores e técnicos da área de saúde para discutir e promover o desenvolvimento e a implementação de políticas públicas efetivas, integradas, sustentáveis e baseadas em evidências para a prevenção e controle das DCNT, bem como para debater os fatores de risco para o fortalecimento dos serviços de saúde voltados aos cuidados crônicos.

Aumento da expectativa de vida 

O Brasil tem apresentado resultados positivos na luta contra DCNT. Houve redução da carga de doenças, com diminuição das mortes por causas materno-infantis e infecciosas, e, também, mortes por doenças crônicas e por causas externas. Especialmente em função da política de expansão do cuidado, vigilância e prevenção e melhoria dos níveis de vida. 

​A assessora técnica do Ministério da Saúde, Fátima Marinho destacou que ​“em 25 anos a média devida do brasileiro aumentou 6​,5​ ano​s ​e queesse aumento foi principalmente devido à queda na mortalidade por causas materno-infantis e infecciosas e melhoria dos determinantes socioambientais e de atenção à saúde”, afirmou Marinho ao salientar que a redução da mortalidade por doenças cardiovasculares deu 2,3 anos a mais de vida para população brasileira.

Por outro lado, apesar dos avanços, ainda ​existem desafios na luta contra as DCNT. A pesquisadora Fátima Marinho lembra que a mortalidade prematura ainda é alta. "51% das mortes ocorrem entre pessoas com menos de 70 anos." ​Segundo a pesquisadora, fatores de risco para doenças crônicas aument​a​ram, como o uso abusivo do álcool, hipertensão arterial, dieta não saudável, entre outros fatores, respondendo por 39% da carga da doença no país.

Durante a apresentação, Anselm Hennis elogiou as políticas públicas realizadas pelo Ministério da Saúde para alimentação saudável. “O Brasil apresentou excelentes ações, como o Guia Alimentar, na promoção para alimentação saudável e para redução do consumo do sódio, o que impacta diretamente na qualidade de vida da população”. 

​Hennis também destacou que o Brasil e a Costa Rica​ foramos países em todo o mundo que cumpriram 100% dos 14 indicadores para os avanços globais em direção aos indicadores de progresso monitoramento.

Saúde Brasil  

Durante o evento também foi lançado um capítulo do Saúde Brasil, publicação anual do Ministério da Saúde. O livro apresenta, de forma geral, a situação atualizada da saúde da população brasileira. O capítulo “Desigualdades regionais e de sexos na tendência da mortalidade prematura por DCNT no Brasil, 2000 a 2014”, traz a análise da tendência das taxas de mortalidade prematura (faixa etária de 30 a 69 anos) para os quatro principais grupos de DCNT (doenças cardiovasculares, diabetes, doenças respiratórias crônicas e câncer) no Brasil e macrorregiões.  

A taxa de mortalidade prematura padronizada por DCNT no Brasil caiu de 449 óbitos por 100 mil habitantes, em 2000, para 347,4 óbitos por 100 mil habitantes em 2014, uma redução média de 4,2% ao ano. Os maiores percentuais de decréscimo ocorreram no Sudeste e no Sul, taxa de 5,3% ao ano, para ambos.  

Os homens ainda morrem mais.  As taxas de mortalidade para eles são superiores as das mulheres durante todo o período analisado, um risco de 1,6 e 1,5 em 2000 e 2014, respectivamente. 

Apesar dos números apresentarem diminuição das taxas de mortalidade prematura por DCNT, ainda assim, existem desigualdades regionais e entre os sexos que necessitam de articulações estratégias entre todas as esferas de governo para melhorar estes índices e para se chegar em condições de saúde mais adequadas e de qualidade para todo o País.