“Tevê é importante para as crianças não incomodarem os adultos”, diz a menina, sugerindo que há muita coisa para ser revista nas relações com as crianças.

A publicação “O que a criança não pode ficar sem, por ela mesma” é fruto do Projeto Crianças na Rede, uma pesquisa nacional com o objetivo de ouvir de crianças em várias partes do Brasil o que para elas é importante, do que precisam, o que não podem ficar sem. A ideia surgiu das organizações que fazem parte da Rede Nacional Primeira Infância, em 2008, para enriquecer o Plano Nacional pela Primeira Infância, considerando os pontos de vista das principais interessadas: as crianças pequenas.

O Plano Nacional pela Primeira Infância é uma carta de compromisso do Brasil com as crianças pequenas. Define objetivos e metas para políticas públicas e procura articular as ações dos diversos setores, da saúde à educação, da justiça à assistência social, para que elas formem um todo coerente e articulado, capaz de atender aos direitos da criança, mesmo aqueles dos quais menos se fala, como o direito de brincar e ter brinquedos, conviver em família e em comunidade. 

O documento desperta a atenção para a visão sistêmica que as crianças têm e a importância do resgate de saberes e do olhar sobre a criança como alguém que merece ser chamado a participar das discussões sobre coisas que dizem respeito à sua vida e ao seu mundo.

Foram pesquisadas 95 crianças, de 5 e 6 anos, das cinco regiões do Brasil: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, que, no conjunto, representam um pouco da diversidade brasileira. 

“Hora de comer é hora sagrada”

“Criança não pode ficar sem comida”. Foi a primeira resposta, em quase todos os grupos, independentemente da classe social e da história de vida. Comida e bebida foi a primeira necessidade básica de acordo com as crianças.

“Saúde é o que está dentro de nós”

Essa definição foi dada por um menino de cinco anos que, assim como a maior parte das crianças entrevistadas, não tem a menor dúvida de que saúde começa em casa, e se constrói com boa alimentação, boa família e hábitos saudáveis. 

“Esta publicação é um pedido para que pais, educadores, formuladores de políticas públicas, enfim, a sociedade, olhem para a criança como ser único e insubstituível na formação hoje do nosso país, e não apenas no futuro. Que a olhem como sujeito de direitos, sensível ao meio e às pessoas, perceptiva, intuitiva, profundamente ética em sua essência. Desde o seu nascimento, a criança nos conta o que precisamos saber sobre ela, baseada em sua sutil percepção do mundo e de si mesma. Por meio de gestos, olhares, sons, risos, movimentos do corpo e tantas outras formas de expressão, além da palavra, a criança é capaz de nos mostrar o que sente, do que precisa, o que não pode ficar sem. Se soubermos entender o que nos dizem, não apenas com os ouvidos, mas com todos os nossos sentidos, veremos como ajudá-las a crescer, de forma harmoniosa e saudável. E, com elas, nós também cresceremos.”

Acesse o documento na íntegra, clicando aqui. (external link)