“A gente não precisa de temperos industrializados. São só esses: o amor, o carinho e a dedicação que nós merendeiras colocamos na panela para saciar nossos alunos”, foi com essas palavras que a merendeira Maria de Lurdes Fidélis, uma das vencedoras do 1° Concurso Nacional das "Melhores Receitas da Alimentação Escolar", falou do orgulho de participar do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) que é referência para outros países.

A receita de Maria de Lurdes ultrapassou as fronteiras da escola em que trabalha no município de Metalândia (PR) e foi parar no livro publicado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Assim como ela, outras merendeiras poderão participar da segunda edição do concurso que foi lançado nesta terça-feira (11) em Brasília-DF.

Durante a cerimônia de lançamento do 2° Concurso Nacional das "Melhores Receitas da Alimentação Escolar"(external link), o ministro da Educação, Mendonça Filho, destacou que o programa tem sido uma ferramenta importante no combate à evasão escolar e na educação para uma alimentação adequada e saudável. “As crianças aprendendo desde cedo a se alimentarem adequadamente, é evidente que elas terão ao longo de suas vidas mais saúde, mais condicionamento físico, melhor qualidade de vida em vários aspectos. Sem uma boa alimentação escolar não se tem acesso ao conhecimento e a educação adequada como é desejada. Uma criança com fome não pode aprender, ela não vai aprender o seu potencial”, disse o ministro Mendonça Filho. O investimento previsto para 2017 chega a R$4 bilhões.

Daniel Balaban, diretor do Centro de Excelência contra a Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), disse que o país já recebeu mais de 60 missões internacionais interessadas em conhecer de perto o programa brasileiro. Uma pesquisa feita pela ONU na África mostrou que programas de alimentação escolar contribuem para o aprendizado, a redução de desigualdades, o desenvolvimento econômico com a dinamização da agricultura familiar regional e a promoção da paz. “O recurso que vai para a alimentação escolar é um investimento que o país faz no futuro da nação. Porque esse recurso volta em termos de adultos bem educados, bem alimentados e que não terão no futuro todos os problemas que a minha geração teve, relacionados a má alimentação. Hoje nós aprendemos desde cedo como se faz uma boa alimentação. É na escola, através do Programa Nacional de Alimentação Escolar, que as crianças brasileiras serão adultos muito melhores do que nós somos e do que nós fomos no passado”, afirmou Balaban.

Atualmente, o programa serve 50 milhões de refeições por dia. São 41 milhões de estudantes atendidos em todas as escolas brasileiras. O presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Sílvio de Sousa Pinheiro, reforçou que, independentemente de partidos, ideologias ou governos, o PNAE “avança, cresce, melhora e se aperfeiçoa”.  “Há um envolvimento de toda a sociedade. Em locais mais distantes do país, muitas vezes, o PNAE é o grande consumidor da agricultura local”, ressaltou o presidente do FNDE.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) completou 62 anos no último dia 31 de março. É o maior e mais antigo programa de alimentação escolar de todo o mundo. A lei nº 11.947, de 2009, determina que no mínimo 30% dos recursos do PNAE deverão ser utilizados na aquisição de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar, priorizando-se os assentamentos da reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas.

Saiba como se inscrever no concurso aqui(external link).