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O controle e prevenção das doenças crônicas, como a hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares e cânceres, que, em grande parte, possuem relação direta com o padrão alimentar, está cada vez mais na agenda da saúde pública brasileira e global. As populações, em todo o mundo, inclusive no Brasil, vêm mudando o que comem e seus modos de comer, frequentemente em uma direção não saudável, consumindo mais alimentos com alto grau de processamento e baixo valor nutricional e abandonando o consumo de alimentos tradicionais e saudáveis e hábitos como a alimentação conjunta da família.
Com isso, o primeiro ponto em toda a agenda de controle e redução das doenças crônicas necessariamente passa pela promoção da alimentação saudável, por meio de ações como o estímulo ao consumo de frutas, verduras e legumes e alimentos tradicionais. Contudo, não se pode ignorar as mudanças no modo de vida das populações, sendo necessário atuar na proteção em relação ao consumo de alimentos com ingredientes cujo consumo excessivo representam risco à saúde (açúcares, gorduras e sódio).
Já é sabido que o consumo excessivo de sódio tem relação direta com ao aumento da pressão arterial, além de contribuir para maior risco de infarto do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais e outras doenças cardiovasculares e renais, implicando importantes custos aos países, tanto em termos de óbitos quanto de custos aos sistemas de saúde e perda de qualidade de vida pelas populações.
No Brasil, estimativas recentes indicam que a população consome aproximadamente 12g de sal ao dia, enquanto a recomendação máxima de consumo é de 5g, sendo suas principais fontes na dieta a adição de sal na preparação e durante o consumo de alimentos e o sal presente nos alimentos prontos, exigindo estratégias diferentes para a redução de seu consumo.
Dessa forma, os eixos da estratégia de redução do consumo de sal no Brasil incluem o aumento da oferta de alimentos saudáveis, a educação e sensibilização da população, manipuladores de alimentos e profissionais de saúde, a rotulagem e informações nutricionais aos consumidores e a redução do sódio em alimentos processados.
Sinalizando o esforço conjunto para a reformulação de produtos industrializados com vistas à melhoria do perfil nutricional destes alimentos, o acordo do Ministério da Saúde com a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), após significativos avanços na redução das gorduras trans desde 2008, traz nova pauta, de redução do teor de sódio nos alimentos industrializados.
A meta brasileira é de reduzir o consumo de sal da população a menos de 5g por pessoa ao dia até 2020 e, para tanto, foram selecionados os alimentos que mais contribuem para a ingestão de sódio na população como um todo e alimentos que são mais consumidos por crianças e adolescentes, para os quais estão sendo pactuadas metas bianuais de redução gradual no teor máximo de sódio por categoria, até alcançar os menores níveis possíveis em 2020. As categorias priorizadas incluem pães, caldos e temperos, laticínios, biscoitos, margarinas, embutidos, massas instantâneas, bolos, snacks, derivados de cereais e refeições prontas.
Em abril deste ano, já foram pactuadas metas de redução para macarrões instantâneos, bisnaguinhas e pães de forma industrializados e o atual cronograma de pactuação prevê metas para mais quatro categorias até o final de julho e as categorias restantes, até dezembro. Paralelamente, está sendo elaborado um plano de monitoramento para acompanhar e avaliar a evolução da redução pelas indústrias, que gerarão relatórios anuais que serão a base para a divulgação das ações e resultados do pacto e para o acompanhamento pelas instâncias de controle social, imprensa e população. 
Dada a relevância e impacto potencial dessas ações, a reformulação de alimentos processados está presente na agenda estratégica do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo o Plano de Ações Estratégicas para o enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil para essa década (2011-2022) e os Planos Plurianuais de Ação (PPA) para 2011-2015.
Naturalmente, o desafio não se encerra na redução do conteúdo de sódio nos alimentos processados, pois ainda é necessário avançar em iniciativas similares para açúcares e gorduras, particularmente para contribuir para a reversão do quadro atual da obesidade no país, trabalhado em meu post anterior, reforçando estratégias livres de conflitos de interesses e baseadas em evidências científicas, direcionando a atuação governamental e subsidiando o controle social.
Trataremos, na próxima semana, de outra prioridade nacional na qual a alimentação e nutrição possuem papel fundamental: a redução da miséria no Brasil, destacando o Programa Bolsa Família na saúde.
Obrigada pela visita.
Até a próxima semana.
Patricia Constante Jaime

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A Portaria 1.055 publicada em 25/04/2017 para o Programa Saúde na Escola prioriza ações de prevenção à obesidade infantil. Qual das ações propostas você considera mais desafiadora?





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